PRODUÇÃO LITERÁRIA: O PEQUENO IPÊ


O pequeno Ipê.

Murmurava um pequeno riacho e do seu leito, adormecida, a pequena semente desperta. Desperta a semente que surge da terra com suas primeiras folhinhas. Todos os seres que habitam o prado contemplam o seu despertar e em meio a tantas gramíneas, capim e ervas, começa a desenvolver-se e cresce.


Toda a umidade da terra, toda a decomposição de folhas e restos de animais alimentam o ser que cresce. Desenvolvendo-se ao sabor do vento e da chuva. O tempo passa e as luas contam-se e a natureza comemora um ano da sua vida

A pequena árvore tão frondosa sente-se ainda mais forte com novas folhas e galhos que vão definindo o seu formato.

Contemplando à sua volta, deu-se conta da sua solidão, pois não há no prado uma companheira, uma outra ávore como ela. Mesmo assim, ela não sente uma profunda solidão, pois é muito visitada por outros companheiros.



Os pássros, as formigas, os besouros, as abelhas e as joaninhas que passeiam sobre ela brincando e conversando em seu delicado corpo. Oferecendo-lhes ainda, abrigo e pousada nos dias mais quentes.


O velho riacho que a viu nascer e a vê crescer, murmura e umedece suas raizes. O rouxinol e a abelha, Dona Bicuda, conversam com o pequeno e majestoso Ipê, todas as manhãs.







A vida segue seu curso. As joaninhas, pequenos e coloridos insetos que são carnívores, alimentam-se das cochonilhas que sugam o pequeno Ipê, controlando-as e assim elas não fazem mal à arvorezinha.
As lagartas vêm mas os pássaros alimentam-se delas. Assim, a cadeia alimentar segue equilibrando o todo e fazenmdo uma rica harmonia no seu segundo ano de vida.




Ele conversa com sua amiga, Dona Bicuda, a abelhinha e fala da beleza do prado em que vivem, dos raios de sol ao amanhecer, do frescor do riacho e da brisa generosa que sopra todas as manhãs. Mas ela confessa sua tristeza por viver só naquela imensidão, pois o prado é lindo mas não tem outras árvores para lhe fazerem companhia.




Formando uma comunidade ou floresta, juntas, compartilharíamos nossas alegrias e tristezas. E, quando adultas trocaríamos os pólens de nossas flores, a semente da vida, o gameta masculino e o feminino, formando um novo ser, uma nova vida.
Dona Bicuda fica triste e preocupada com sua amiga, pois já com quase quatro anos de vida ela vai começar sua vida produtiva que é florir.



Voando pelas redondezas, Dona Biocuda encontrou um amiguinho seu que havia descoberto uma linda floresta cheia de Ipês amarelos e rosas como também outras árvores como mulungús, genipapeiros e aroeiras, entre outras e muitas rochas onde vegetam lindas bromélizas, cardeiros e coroas de frade com suas flores.

Dona Bicuda guardou silêncio pois ainda não era a hora de contar para o seu amigo a descoberta que fizera pois antes queria dar uma olhada no local.

No dia seguinte preparou seu lanche e partiu nesta missão de ajudar o seu amigo, o pequeno Ipê. Dona Bicuda sabia que não seria fácil atravessar toda aquela distância. Logo que amanheceu, ela partiu para a sua jornada. Nos primeiros quilômetros de vôo ela sentiu cansaço mas avistou as pedras onde tinha certeza de encontrar as bromélias com suas folhas que armazenam a água da chuva onde poderia refrescar-se e matar a sede. Mas, também sabia, que encontraria perigos, por isso deveria ter muito cuidado ao pousar.

Assim ela fez. Com calma e delicadeza, ela pousou. Entretanto, logo em seguida, uma sábia mas mortal aranha tentou envolvê-la em sua teia. Dona Bicuda se mostrou experiente. Bebeu rápido e logo voou para longe. Do alto, ela vislumbrou belas flores para colher o nectar mas sempre concentrada no seu objetivo, ela manteve-se fiel à sua missão.


Depois de dias voando, ela avistou um pequeno bosque e, mais adiante, uma mata fechada com grande variedade de árvores. Ela se alegrou por demais com tantas maravilhas, com cores e perfumes diversos, uma festa para os seus olhos, nariz e boca. Pousou em um galho cheio de flores, descansou e depois fartou-se de nectar.

No dia seguinte ela iniciou a viagem de volta ao pequeno prado em que vivia com o seu amigo o Ipê. Depois de vários dias de viagem ela enfim chegou. Mas antes de ir ver o seu amigo, retornou à sua colmeia pois se ausentara por muitos dias. Foi ter com a abelha rainha, a lider do seu grupo, para relatar a descoberta que havia feito, conta para ela da existência da mata com sua fartura de cores e sabores.

Então, a líder comunicou-lhe o seu desejo de saber o caminho para tal floresta pois seria um ótimo local para quando chegasse a hora do vôo nupcial que é a forma como a colmeia se propaga.
Após esta longa conversa ela se retirou para o seu grupo de trabalho mas não esquecia o problema do seu amigo Ipê. Fazendo as suas reflexões pensou com seus botões que logo iria avisá-lo da sua descoberta para prepará-lo para o que viria depois : ela já estava planejando a sua segunda viajem com o objetivo de coletar o pólem para fecundar as flores do pequeno Ipê que seria uma dádiva do seu amor.

Entretanto, tudo teria que ser muito bem planejado para que coincidissem as floradas tanto no pequeno Ipê como na mata, permitindo que Dona Bicuda pudesse completar o seu trabalho de polinização.
Em uma bela manhã, ela vai se encontrar com seu amiguinho que estava com muitas saudades dela e ao vê-la logo se alegrou e ao sabor do vento, bailou de felicidade.

Dona Bicuda, com pressa, relatou as boas novas do bosque e das matas que encontrara e das belas árvores de Ipê coloridas como ele. Ele sorria muito alegre mas de repente, um certo pesar abateu-se sobre ele ao pensar que não poderia ir até lá.

Então, o jovem Ipê, perguntou se Dona Bicuda poderia ajudá-lo. Tranquilizando-o, Dona Bicuda informou que ia fazer uma nova viajem para coletar o pólem e trazê-lo até ele, pois sabia do  seu sonho de ser polinizado por outro Ipê amarelo como ele e com suas sementes começar uma grande mata ou floresta.


Os preparativos para a importante aventura mobilizou toda a pradaria. No dia marcado, Dona Bicuda e mais seis abelhas se organizaram para a grande jornada, dividindo o grupo em batedores, guardiões e coletores. Toda a colmeia se mobilizou para apoiar a grande viajem pois todos queriam transformar o prado em uma mata com a bênção da abelha rainha.

Toda a cerimônia dos preparatórios se deu em frente do pequeno Ipê como se ele fosse um teatro onde se organizava um grande acontcimento. Quando tudo estava pronto traçaram o plano de vôo e partiram. Os primeiros dias se passaram sem nenhuma novidade mas depois da passagem pela grande montanha onde elas pararam para descansar e se alimentar, uma triste visão apareceu diante dos seus olhos : o homem e o fogo haviam causado uma frande devastação em uma mata ciliar que beirava o rio logo abaixo da montanha.


Dona Bicuda, discursou eloquentemente : "É desse jeito que o bicho homem trata a nossa casa, nossa morada, o planeta Terra? É por isso que devemos nos unir para salvar a natureza e transformar todos os prados em matas. Sabemos que isso é utopia, mas, graças a Deus, a natureza tem grande capacidade de recuperação.. Mas vamos deixar a lamentação de lado e correr antes que eles ponham fogo em todas as matas da vizinhança." E assim, proseguiram a viajem.

Durante a viajem, um dos batedores foi aprisionado em uma teia de aranha existente numa bromélia  quando pousou para beber água. Mas todos os outros chegaram sãos e salvos na mata, no tempo previsto. A mata estava uma beleza, toda florida de Ipês roxos e amarelos ao lado de árvores de pau brasil que perfumavam o ar com suas flores. Todos os que chegavam encantavam-se com os aromas e a beleza das flores.


Logo Dona Bicuda dá as ordens : "Vamos coletar o pólem para levar para o nosso amigo Ipê que está nos esperando aflito. É importante que levemos pequenas quantidades de polem para que não se torne um fardo muito pesado para a viajem de volta ."  Todos obedeceram. Com pouca carga, partiram.


Mas havia uma abelha muito gulosa que se chamava Baba. Ela coletou uma quantidade maior do que era capaz de transportar e no meio do caminho ela caiu e se perdeu do resto do grupo.

Todos continuaram pois o tempo era escasso devido a que necessitavam chegar no tempo certo para polinizar as flores do Ipê no momento em que estivessem maduras para receber o pólem. No dia seguinte chegaram ao prado as cinco valentes que sobreviveram à aventura.

Foram recebidas como convinha a grandes heroìnas: formou-se uma grnde comitiva para sauda-las em frente ao pequeno Ipê. E todos ficaram esperando o momento solene da polinzação que quando aconteceu causou uma alegria geral.


O papel principal coube a Dona Bicuda já que ela havia sido a mentora de toda aquela aventura. Ela teve a honra de dar início à polinização e a seguir as outras abelhas ajudaram Dona Bicuda a finalizar o trabalho.

E, quando terminou,  Dona Bicuda deu um beijo no pequeno Ipê e se foi.
Todos os dias vinha visitá-lo para ver o amadurecimento das vagens do Ipê.


Um belo dia, elas cairam e se espalharam pelo prado disseminando-se em várias mudas pequenas como ele fora um dia.
Assim, formou-se um pequeno bosque.


O riacho corria com mais abundância, o ar ficou mais fresco, a paisagem transformou-se e Dona Bicuda, já velhinha, descansava tranquila nos galhos do seu amigo Ipê que agora já era uma árvore frondosa e majestosa, uma das maiores de sua floresta.

Autor: José Barbosa de Oliveira

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