quinta-feira, 29 de março de 2012

EU FUI HOAN LAN, HOJE SOU ORQUÍDEA





O poema a seguir transcrito é da lavra do orquidófilo Américo de Arruda Câmara, descendente desta família tradicional da Paraíba cujo nome está dignificando o jardim botânico da cidade de João Pessoa, o Parque Arruda Câmara. e é neste mesmo parque que ocorrem as reunião dos orquidófilos de João pessoa, todo primeiro sábado de cada mês, às nove horas.

EU FUI HOAN LAN, HOJE SOU ORQUÍDEA

Despertei paixões, não correspondidas,
Com um sorriso apenas, fiz alguém sofrer;
Mera crueldade, exterminando vidas,
Praticando o mal, por mero prazer.

O deus das cinco flechas deu-me punição,
Uma árvore, o ébano, minha protetora;
Ofereceu-me abrigo, como salvação,
De sofrimento atroz, à paz renovadora.

Transformada em flor, de rara beleza,
Perfume inebriante, puro relicário;
Seja nas florestas ou no orquidário,
Vivo embelezando a própria natureza.

Na amplidão das matas, escondida estou,
Pouca proteção e muita crueldade;
Se alguns me protegem com carinho e amor,
Outros me tratam com desumanidade.

Hoje onde eu passo, sou cumprimentada,
Recebo glórias, nenhuma perfídia;
Pelo mundo inteiro, homenageada,
Eu fui Hoan Lan, hoje sou orquídea.
João Pessoa, 24 de outubro de 1997



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